Depoimento – Takashi Yamanishi (JICA – Ensino da Língua Japonesa como Língua de Herança)

Depoimento – Takashi Yamanishi (JICA – Ensino da Língua Japonesa como Língua de Herança)

Entre dezembro de 2018 a fevereiro de 2019, fui contemplado pelo programa de Ensino da Língua Japonesa como Língua de Herança, oferecida pela JICA.

Como professor de japonês, tive inúmeros aprendizados ao longo do treinamento, mas três pontos foram fundamentais:

  • Sociedade Nikkei
  • Técnica de ensino
  • Cultura japonesa

 

Sociedade Nikkei

Na bolsa, fiquei sabendo pela primeira vez sobre a LARA (Licensed Agencies for Relief in Asia – Agências Licenciadas para Apoio na Ásia).

Em setembro de 1945, no meio da confusão após a derrota do Japão, vendo a situação difícil que a população japonesa passava, sofrendo com a falta de alimentos e outros itens essenciais para o dia-a-dia, eles enviaram desde 1946 a 1952 suprimentos de ajuda denominados LARA, com alimentos como leite em pó e vestimentas para sua pátria, como sinal de agradecimento pelos artigos enviados aos campos de concentração nos Estados Unidos. A contribuição através do envio de suprimentos LARA correspondeu ao equivalente a mais de 40 bilhões de ienes na época, em 1952. Dentre eles, cerca de 20% ou 8 bilhões de ienes de todos os suprimentos de ajuda, foram contribuições feitas pela comunidade nikkei do exterior.

Como presidente da ABRAEX, sempre me encontrava na saia justa quando tinha que explicar sobre as bolsas de estudo que são exclusivos para os nikkeis. Foi apenas nesse treinamento que entendi o motivo verdadeiro por trás dessa política. As bolsas de treinamento para os nikkeis são um agradecimento do governo japonês pelas contribuições dos nikkeis do passado.

Técnica de ensino

A minha bolsa foi destinada para professores de japonês com menos de 5 anos de experiência. Como alguém que acabou de entrar em sala de aula, o treinamento foi como ter que digerir e absorver um prato cheio de conhecimento todos os dias.

Aprendemos sobre a essência do kanji, ideograma que existe há milênios. E é incível notar que a sua essência se manteve ao longo de tanto tempo. Abaixo, temos um exercício que compara os kanjis de hoje com os de 3300 anos atrás.

Quanto às teorias gramaticais da língua japonesa, tivemos um intensivão com a professora Shiozaki, a instrutora mais brilhante que conheci nesse programa.

Com ela aprendemos a importância de recursos visuais no ensino de idiomas. Uma coisa é explicar a diferença das partículas へ e に descrevendo a gramática. Outra coisa é mostrar visualmente a diferença das duas partículas locativas.

Esquema didático mostrando a diferença das duas partículas

Ela também falava que é necessário repetir 50 vezes para o aluno assimilar as frases. Achei exagerado esse número, mas queimei a língua quando ela resolveu ensinar frases básicas de coreano para nós. (nem 50 vezes foi suficiente para falarmos decentemente). “Uma boa aula é aquela em que os alunos falam mais que os professores”, dizia ela.

Cultura Japonesa

Uma das coisas que mais me impressionou nesse treinamento é a quantidade de atividades práticas. Mesmo eu que não me considero uma pessoa muito prendada consegui fazer umas artes, através de origami, mizuhiki e katazome.

Existe um abismo entre ter o conhecimento e vivenciar na prática. Vi que muitos dos meus conhecimentos sobre o Japão eram superficiais, e cada dia me impressionava com a profundidade da cultura japonesa.

Viajamos a Kyoto, Nara e Kobe para estudar as culturas locais. Fomos ao Edo-Tokyo Museum, um dos mais curiosos museus da cidade. Visitamos o centro de reciclagem Aicle, escola de Taiko Hibikus, e a fábrica de alimentos da Ajinomoto. O que me fascinava em todas as visitas era como cada japonês realizava os seus trabalhos com excelência. Era impressionante a dedicação de cada um para que possam oferecer o melhor deles.

Por fim…

Há 9 anos atrás eu havia sido bolsista JICA por meio do Programa de formação da Futura Geração da Comunidade Nikkei. Essa também foi uma experiência indescrítivel, principalmente levando em conta que era um adolescente de 15 anos.

Voltando a Yokohama como adulto e recebendo o treinamento, o sentimento que me resta é de gratidão. Só tenho a agradecer à JICA, À Associação Kaigai Nikkeijin Kyokai, meus companheiros de treinamento e à toda a equipe envolvida no treinamento, por nos proporcioar mais uma experiência incrível como essa.

 

Fabio Takashi Shibata Yamanishi

JICA – Ensino da Língua Japonesa como Língua de Herança (Treinamento de Professores I)

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